Nova pesquisa conecta o uso de cannabis por adolescentes ao desenvolvimento cognitivo mais lento

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Um importante estudo de longo prazo revelou uma ligação significativa entre o consumo de cannabis durante a adolescência e um abrandamento no desenvolvimento de competências essenciais de pensamento e memória. As descobertas sugerem que, embora as lacunas cognitivas possam inicialmente parecer subtis, podem acumular-se ao longo do tempo, impactando potencialmente a capacidade de um jovem aprender e funcionar na vida quotidiana.

O impacto no desenvolvimento do cérebro

O estudo, publicado na revista Neuropsychopharmacology, destaca um período crítico de vulnerabilidade no desenvolvimento humano. Ao contrário dos adultos, cujos cérebros estão em grande parte maduros, os adolescentes passam por rápidas mudanças neurológicas que moldam a forma como processam a informação.

De acordo com a pesquisa, os adolescentes que usam cannabis não experimentam a mesma taxa de crescimento cognitivo que os seus pares que não usam. Especificamente, o estudo identificou progressos limitados em diversas áreas-chave:
Retenção de memória
– ** Capacidade de atenção **
Habilidades linguísticas
Velocidade de processamento

Em muitos casos, o estudo observou que as capacidades cognitivas dos adolescentes consumidores de cannabis eram comparáveis às dos seus pares quando eram mais jovens. No entanto, assim que o consumo de cannabis começou, o seu progresso cognitivo “estabilizou-se”, enquanto os seus pares continuaram a mostrar uma melhoria constante.

THC vs. CBD: Identificando o driver

Um dos aspectos mais significativos desta investigação é a sua tentativa de distinguir entre os diferentes componentes da cannabis. Os pesquisadores se concentraram em dois compostos principais: Tetrahidrocanabinol (THC), o elemento psicoativo responsável pelo “barato”, e Canabidiol (CBD), que não é psicoativo.

Os dados sugerem que o THC é o provável fator por trás dos atrasos cognitivos observados. Os adolescentes que apresentaram evidências de exposição ao THC demonstraram piora nas habilidades de memória ao longo do tempo, enquanto aqueles com exposição ao CBD não apresentaram o mesmo padrão.

“Isso também destaca o quão complicados os produtos de cannabis podem ser, especialmente porque alguns produtos rotulados como CBD ainda podem conter THC”, observou a Dra. Natasha Wade, autora principal e professora assistente da Faculdade de Medicina da UC San Diego.

Escopo e Contexto do Estudo

Esta pesquisa faz parte do Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro do Adolescente (ABCD), o maior estudo de longo prazo sobre o desenvolvimento do cérebro em jovens dos EUA. Ao analisar dados de mais de 11.000 participantes – acompanhando-os desde os 9 ou 10 anos até aos 17 anos – os investigadores conseguiram observar estas tendências numa amostra enorme e diversificada.

Embora o estudo seja robusto, os pesquisadores mantêm uma nota de cautela científica:
Correlação vs. Causalidade: O estudo não prova definitivamente que a cannabis causa essas alterações, pois outros fatores ambientais ou de personalidade podem influenciar os resultados. No entanto, os investigadores levaram em conta muitas destas variáveis ​​para isolar o impacto do uso de substâncias.
Efeitos cumulativos: Embora as diferenças no desempenho cognitivo tenham sido descritas como “modestas”, a importância biológica da adolescência significa que mesmo pequenas mudanças na atenção ou na memória podem ter consequências a longo prazo para o sucesso académico e a integração social.

Conclusão

À medida que a cannabis se torna mais amplamente disponível e socialmente aceite, este estudo serve como um lembrete vital de que o cérebro do adolescente é singularmente sensível às substâncias psicoativas. Em última análise, retardar o consumo de cannabis parece ser um factor chave para apoiar o desenvolvimento saudável e ininterrupto do cérebro.